We Apologise for the Inconvenience é uma peça de teatro sobre Douglas Adams sendo mantido em cativeiro em um quarto de hotel e sendo forçada a escrever O Guia do Mochileiro das Galáxias, onde temos o ator Adam Gardiner interpretando Douglas Adams tendo uma crise existencial enquanto toma uma banho de banheira e Rob Stuart-Hudson sendo o pato de borracha que toma vida e tenta dar rumo ao escritor.

A peça agora está sendo lançada em vinil e CD:

O autor da peça, Mark Griffiths, topou conversar com a gente sobre o trabalho e responder algumas curiosidades dos mochileiros:

Obrigado Pelos Peixes: Quando foi a primeira vez que você teve contato com o Guia do Mochileiro das Galáxias?
Mark Griffiths: Era o verão [no Reino Unido] de 1981. A BBC reprisou a adaptação para a TV, que foi transmitida pela primeira vez em janeiro. Eu vi um trailer e achei interessante. Muito parecido com Doctor Who com suas naves espaciais, monstros alienígenas e música eletrônica. Mas quando assisti ao programa real, descobri que era muito mais. O roteiro era tão inteligente e engraçado e eu adorei as animações. Todas aquelas piadas que acontecem muito rápido. Tudo sobre a série me atraiu.

OPP: Como surgiu a ideia de escrever a peça?
Mark: Na biografia de Douglas de Nick Webb, Wish You Were Here, ele descreve o incidente da vida real em que a peça se baseia e se pergunta, em uma nota de rodapé, se ela poderia ser uma peça two-hander (com apenas dois personagens). Eu li isso e pensei “Eu gosto de Douglas Adams; eu escrevo peças. Se alguém deveria escrever esta peça, deveria ser eu!” Fiquei um pouco obcecado em fazer a peça antes que alguém tivesse a mesma ideia.

OPP: Quando você começou a escrever e quando foi a primeira apresentação?
Mark: Já em 2008 eu estava lançando a ideia para a BBC Radio 4 como uma peça de rádio, mas eles não estavam interessados. Depois disso, escrevi algumas peças de teatro e me ocorreu que WE APOLOGISE…” poderia funcionar no palco também. A vantagem das peças teatrais ao invés do rádio ou da TV é que você não precisa esperar que alguma organização lhe dê sinal verde. Você pode chamar um diretor, alguns atores e encontrá-los em uma sala acima de um pub. O que é mais ou menos que acabou acontecendo. Encontrei um produtor que gostou do roteiro – Gareth Kavanagh – e com ele montamos a produção. Fizemos nossas primeiras apresentações em Manchester e Liverpool em 2017.

OPP: Como foi adaptar a vida de alguém tão importante em uma mídia “limitada” – limitada se comparada a programas de TV ou filmes – e como ela se tornou um vinil?
Mark: As peças de teatro e os áudios são semelhantes no sentido de que ambas encorajam o público a usar sua imaginação. Sendo um grande fã de Douglas, eu conhecia todas as anedotas sobre ele e, como escritor, tinha certeza de que poderia fazer uma imitação convincente de seu estilo. Algumas pessoas pensam que suas criações são apenas nomes alienígenas multi-silábicos bobos, advérbios como “alucinantes” e referências a relógios digitais, mas vai muito, muito mais fundo do que isso.

Virou um LP porque queríamos fazer uma versão em áudio. Eu trabalhei como produtor de rádio e conhecia um estúdio onde poderíamos fazer isso de maneira acessível, então uma versão em áudio parecia uma extensão natural da peça de teatro. E eu amo aquelas antigas versões da Original Records do Guia.

OPP: Qual foi a situação mais desafiadora que você enfrentou ao escrever e produzir a peça?
Mark: Na verdade, achei a escrita muito fácil. Eu tive a ideia e fiquei pensando nela por muito tempo, então, quando finalmente me sentei para escrevê-la, ela saiu rapidamente. Ajudou o fato de eu ser fã e conhecer muito bem o assunto. Nas primeiras versões da peça, tínhamos um banho de verdade no palco, o que parecia ótimo, mas era um esforço terrível para nossas costas nos movermos antes e depois de cada show! Eventualmente, percebemos que o show funcionava tão bem sem um banho no palco. (E a vantagem da versão em áudio é que o banho está na imaginação do ouvinte.)

OPP: A pergunta que todos querem saber: Você teve um bloqueio criativo escrevendo sobre um bloqueio criativo? Se sim, você superou com um pato de borracha também ou acabou rindo da situação?
Mark: Hahahaha! Como mencionei acima, achei a escrita relativamente fácil. Sou um escritor bastante disciplinado e sempre cumpro meus prazos, ao contrário de alguns que poderíamos citar …

OPP: Quantas apresentações a peça teve – antes da pandemia – e como foi a recepção do público?
Mark: A peça já foi apresentada várias vezes no Reino Unido – nos apresentamos em Manchester, Liverpool, Birmingham, Brighton, Buxton, Leicester, Edimburgo e Londres. Fico feliz em dizer que sempre teve uma resposta muito calorosa e positiva. Em março, pouco antes da pandemia, nos apresentamos na The British Library em Londres como parte das comemorações para marcar o 42º aniversário de The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy e fomos muito bem recebidos pelos fãs de Douglas Adams. Vários amigos de Douglas têm nos apoiado muito, incluindo Simon Jones (Arthur Dent), Kevin J Davies, David Learner (Marvin na TV e no teatro) e o meio-irmão de Douglas, James Thrift.

OPP: Conte-me sobre o ator que interpretou Douglas e como você o escolheu.
Mark: Na peça, Douglas é interpretado por Adam Gardiner. Ele é absolutamente perfeito para o papel – charmoso, bem inglês e muito alto! Quando ele entrou no teste, lembro-me de pensar que ele parecia alguém que poderia estar na Cambridge Footlights. A maneira como ele lidou com os discursos complicados do texto foi incrível. Ele vai ser uma grande estrela muito em breve, tenho certeza. Também tivemos muita sorte com o nosso pato. Rob Stuart-Hudson, que interpreta o pato, é um comediante incrível com improvisos. Ele tornou o papel seu e trouxe uma energia brilhante para ele.

OPP: Há planos para mais apresentações após a pandemia? E fora da Europa?
Mark: Íamos estar no Edinburgh Fringe este ano, mas obviamente teve que ser cancelado. No entanto, estando tudo bem, voltaremos a Edimburgo no próximo ano. Ainda não há planos de fazer uma turnê fora da Europa, mas estamos sempre abertos a convites!

OPP: Muito obrigado, Mark, pelo seu tempo e disponibilidade para responder às perguntas, e espero que um dia tenhamos a oportunidade de fazer uma entrevista pessoalmente!

Mark: Obrigado! Isso seria muito legal!

 

Você pode adquirir o vinil e o CD no site do CutAway Comics

 

 

 

Written By

May

Uma whovian que nunca esquece de levar sua toalha na TARDIS e nunca dispensa uma xícara de chá. Ainda acha que vai encontrar a pergunta fundamental sobre A Vida, o Universo e Tudo o Mais em alguma viagem no tempo ou no espaço.