A OPP deu uma parada, acho que estamos todos imersos na consciência.

Quem me conhece sabe. Não choro por quase nada.
Ontem chorei. Ainda não entendi exatamente o porquê.

Era 18:00h e eu estava no trabalho a menos de quinhentos metros da manifestação, vendo videos ao vivo da manifestação. No Rio de Janeiro.

Eu queria ir, mas existia uma tensão um clima estranho, todos no estudio onde trabalho sentiram isso, e especulavam. Sentíamos um desconforto, talvez uma sensação de que era algo grande demais, e era. E foi outro desconforto que fez as pessoas irem as ruas, a tarifa do transporte era a pauta do Movimento Passe Livre. Mas essa pauta ficou pequena ontem, diante de tanta gente na rua que queria não só apoiar um movimento específico, mas demonstrar uma insatisfação a muito tempo guardada em “alguém devia fazer alguma coisa” e embrulhada com muitos “isso não adianta nada”. Abrimos esse embrulho do estomago e vomitamos.

Não resisti. Fui lá. Disse pra minha mãe que não iria, mas fui. (Desculpa, mãe!)

Andei do meu trabalho até lá pelas ruas adjacentes, todas muito tranquilas, parecia que nada estava acontecendo, gente conversando sobre qualquer coisa que não manifestação, passava.

Virei a esquina. Um mar de gente, um oceano, oceano pacífico. Pensei que veria muitos moleques, desocupados. Eles estavam lá mas vi homens, mulheres, crianças e até alguns idosos. Todos muito tranquilos. A polícia, presente, acompanhava e observava sem nem fazer cara feia. Voltando pra casa, as pessoas no caminho só falavam disso, e eu fiz todo o trajeto com um sorriso bobo na cara.

Ponto de vista de manifestante.

Absorvido por aquele mar, me senti seguro, muito mais que no carnaval.
Carnaval, (bom lembrar) época com alto índice de vandalismo, depredação, assalto, estupro, mas aí pode, afinal, é feriado e você está tomando sua cerveja.

Mas não to aqui pra te criticar, encare como um convite, vem pra rua, precisamos de mais pessoas como você nas ruas, que é contra o vandalismo!

Quando chorei? Em um dado momento alguém levantou uma bandeira do Brasil e ateou fogo! Não, não foi aí que eu chorei, nessa hora fiquei puto, não é esse o espírito.
Chorei quando os próprios manifestantes tomaram a bandeira apagaram o fogo, dobraram e a levantaram e incentivados por esse ato, cerca de 100.000 (cem mil) pessoas cantaram “Eu, sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amo-oooo-r” (Ok, foi só uma lágrima, mas poxa, foi emocionante.) Fiquei com a seguinte frase na cabeça: “Mesmo queimada, é nossa pátria!”

Vista aérea da Cinelândia.

Mesmo que a PEC37 seja aprovada e que nem ao menos o valor da tarifa mude, isso serve de algo, porque mais importante que mudar o país é mudar a cultura de que não adianta fazer nada, de que devemos ser estuprados sem reagir, sem tentar evitar.

Sim, os jovens na rua podem não entender metade do que está acontecendo, podem não saber o nome de seus prefeitos, nem do vice-presidente, mas sabem que seja lá o que for não está funcionando, e sim, estão COMEÇANDO a ter consciência política. Estamos tão crús nesse sentido, que o que mais precisamos, acho, é de um começo. É o que acho que é. É o que espero que seja.

Todas as eleições que ví, ouvi: “Não faz diferença quem vai ser eleito, ELES são todos iguais.”
Na próxima gostaria de ouvir: “Não faz diferença quem vai ser eleito, NÓS somos todos iguais.”

Os políticos não nos representam mais, partidos não nos representam mais.
Estamos aprendendo, estamos tomando consciência Os governos tem que fazer isso também, vão ter que lidar com um povo cada vez mais conectado, com cada veis mais capacidade de trocar informações.

Sua parte além de participar das manifestações, é conversar sobre o assunto, perguntar tudo que não entender, questionar os que tem muita certeza de qualquer coisa, aprender. Conhecimento é poder e o povo precisa recuperar isso.

Desculpa se meu texto não faz muito sentido, se não está bem redigido. Estou muito inflamado com as lembranças do que aconteceu ontem e com a imaginação do que pode acontecer amanhã.

Daqui a 10 anos, quando estiver tomando uma cerveja com amigos num bar qualquer, com um país melhor, eu vou lembrar de quem na mesa comigo, se foi revolucionário e quem foi reacionário. E vou beber com feliz com todos. Porque não estou contra quem é contra meu pensamento, pois quero um pais melhor pra mim e pra você.

Até mais e brigado pelos peixes, mas temos que ensinar a pescar.
Se você não faz ideia de como começar a ajudar, entra em contato inbox.

Written By

Rafael Pah

Rafael Pah, mas pode me chamar de PAH. Faço desenho animado pra pagar minhas contas, sou programador e ilustrador nas horas vagas, apaixonado por ciência de todos os tipos, Vice Coordenador Regional da Mensa Brasil. 42: O importante não é a resposta e sim a pergunta.